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50 tons de cinza no Pantanal

Por CBC Agronegócios

05 de Outubro de 2020

 

Desastres ambientais têm sido recorrentes não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Entretanto, nos últimos dias, infelizmente presenciamos mais um deles, e aqui mesmo, fazendo com que nosso céu azul celeste fosse invadido por nuvens espessas de diversos tons de cinza.

Saber o que aconteceu e mais, como prevenir acontecimentos trágicos como esse, é fundamental, principalmente para quem vive do agronegócio.

A tragédia

Áreas foram devastadas, espécies quase dizimadas. Animais que estavam saindo da lista de extinção voltaram a correr perigo novamente. Além disso, fazenda inteiras acabaram destruídas pelo fogo, causando prejuízos sem precedentes aos seus donos.

De tamanho continental, os olhos do mundo se voltam para a nação brasileira muito mais facilmente do que quando esses incêndios ocorrem em outros lugares do planeta, a exemplo da Austrália e do estado da Califórnia, nos Estados Unidos.

O passo seguinte é apontar os responsáveis pela tragédia, cuja culpa, invariavelmente, acaba recaindo sobre pecuaristas e demais empresas ligadas ao agronegócio. É justo isso? De modo nenhum!

Então, quem são os culpados? Melhor ainda, há culpados por tamanha tragédia?

Procurando por culpados

Apesar de ter chamado tanto a atenção de todos, em especial de ambientalistas, não é de hoje que incêndios ocorrem, e existem fatores determinantes para isso, tais como:

  • Longos períodos de estiagem;
  • Propriedades abandonadas, uma vez que muitos desistiram da atividade no campo por se tornarem inviáveis, economicamente falando;
  • Temperaturas chegando a 40o, por vezes ultrapassando;
  • Acúmulo demasiado de matéria-orgânica, já que existe a dificuldade de manejo adequado de pastagem devido à severidade das leis.

Sim. A junção desses fatores foi responsável por um dos maiores incêndios já vistos em nosso país, destruindo grande parte de um dos biomas mais importantes e ricos do mundo, o Pantanal, onde 8.106 focos foram encontrados só no mês de setembro desse ano, de acordo com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Desse modo, é inconcebível colocar toda a culpa na atividade agropecuária, mesmo porque, a vasta maioria das empresas desse ramo e trabalhadores rurais da própria agricultura familiar seguem as normas ambientais impostas.

Fogo contra fogo

O momento, agora, é o de encontrar formas de acabar com essa quantidade de focos de incêndio e proporcionar ações efetivas de prevenção e combate às queimadas, inclusive medidas e programas educativos e de conscientização.

Especialistas estão empenhados em exterminar tais focos e, para isso, usarão até técnicas como a do “fogo contra fogo”, que consiste em, de fato, queimar pequenas faixas de um terreno a fim de que a vegetação ali existente deixe de “alimentar” o fogo que avança, evitando mais combustão.

Outrossim, é essencial que haja projetos de lei como o PL 4.629/2020 de iniciativa do Senador Carlos Fávaro (PSD/MT), autorizando o uso da aviação agrícola no combate a incêndios florestais. Ademais, um aumento na destinação de recursos para a preservação ambiental é urgente e de suma importância.

Ouvir quem está na ponta, ou seja, pecuaristas e agricultores, também se faz necessário para o surgimento de ações efetivas. Afinal, são eles quem mais sofrem com a existência desses focos de incêndios.

Nesse momento, o principal é buscar um consenso entre produtores agropecuários e ambientalistas que, com políticas públicas sérias, afastem essas nuvens espessas de fumaça com muito mais do que 50 tons de cinza, e nos lembre que há um céu azulado que está ávido para se fazer conhecido de todos. Vê-lo e torná-lo permanente dependerá de cada um e de todos nós.

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