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Semana em Revista - Agência CMA

NA SEMANA QUE PASSOU

A decisão dos Estados Unidos de abandonar o acordo que limita a atividade nuclear do Irã e reintroduzir sanções econômicas ao país foi o evento de maior influência sobre o mercado mundial na semana passada, elevando os preços do petróleo para níveis vistos pela última vez em 2014 e, com isso, contribuindo para a valorização de ativos de países emergentes, cujas economias são consideradas dependentes de preços de commodities.

No final de 2011 e em meados de 2012, os Estados Unidos e a Europa, respectivamente, adotaram sanções econômicas contra o Irã para pressionar o país a desistir de seu projeto nuclear. Os norte-americanos e europeus consideravam que o objetivo do governo iraniano era construir uma bomba atômica, enquanto Teerã afirmava que tinha como meta desenvolver reatores nucleares para a geração de energia elétrica.

Após a aplicação das sanções, a produção de petróleo e derivados do Irã caiu para 2,7 milhões de barris por dia em 2013, de pouco menos de 4 milhões de barris por dia antes das punições. As medidas bloqueavam as exportações iranianas da commodity, os investimentos externos ao setor petrolífero local e as fontes de financiamento para o desenvolvimento de reservas de petróleo e gás no país.

Em janeiro de 2016, o Irã fechou um acordo com os Estados Unidos e os Europeus para limitar as próprias atividades nucleares em troca do fim dos bloqueios econômicos que até então estavam em vigor. Isto permitiu aos iranianos aumentar a produção de petróleo, que em 2017 atingiu 3,8 milhões de barris por dia. O país também elevou as exportações da commodity e derivados, tendo China e Índia como principal destino dos produtos – ambos consumiram 43% do total vendido pelo Irã ao exterior. Coreia do Sul (14%), Turquia (9%) e Itália (7%) vêm em seguida.

Os Estados Unidos, que abandonaram o acordo, não importam petróleo do Irã – cerca de 40% comprado pelo país no exterior na verdade vem do Canadá, enquanto outros 30% vem de vários outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Ainda assim, os norte-americanos podem limitar as atividades do setor petrolífero do Irã punindo empresas que operam no país e possuem atividades em solo iraniano ou zerando as linhas de financiamento de seus bancos para exportações e projetos na região.

Desta vez, no entanto, os Estados Unidos estão isolados em sua tentativa de punir o Irã. A Uniao Europeia até o momento se manifestou por respeitar o acordo fechado com Teerã, assim outros signatários do pacto, como a China e a Rússia. Isto significa que a pressão sobre os iranianos, ao menos politicamente, será menor do que na última rodada de sanções. Na prática, é provável que grandes empresas multinacionais sigam as determinações dos Estados Unidos, com medo de serem punidas pela justiça do país.

DESTAQUES  

A Agência CMA mostrou que o contexto político atual mostra-se inviável para a aprovação de projetos da nova agenda econômica prioritária do governo, divulgada em fevereiro, após o fracasso na votação da reforma da Previdência, em razão principalmente das eleições e dificuldades de se encontrar um denominador comum com parlamentares para manter o conteúdo dessas propostas minimamente aceitável.

NESTA SEMANA

O destaque será o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. A expectativa é de que a instituição reduza a taxa básica de juros mais uma vez, de 6,50% para 6,25% ao ano, mesmo diante da valorização recente do dólar.

Em Brasília, o plenário da Câmara dos Deputados debate na terça-feira a MP 811, que cria a Pré-Sal Petróleo, e continua a votação sobre o cadastro positivo. Na quarta-feira, a pauta de votação inclui alterações à chamada Lei Kandir e o projeto de lei que regulamenta a profissão de lobista.

No mesmo dia, em comissão, os deputados discutem um projeto de lei que restringe o repasse das perdas de energia nos sistemas de distribuição e transmissão aos consumidores e a regulamentação de moedas virtuais.

No exterior, atenção para os discursos de membros do comitê de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Dentre os que possuem direito a voto no grupo, Loretta Mester falará na segunda e na sexta-feira, John Willians na terça-feira e Raphael Bostic na quarta-feira.

A semana também trará os dados sobre a produção industrial da China, na segunda-feira, o PIB da eurozona e do Japão, na terça-feira, e os dados sobre a inflação na Europa, na quarta-feira..